Dizem que para um sonho deixar de ser sonho, ele precisa começar a ser executado, então lá vou eu.
Certo dia, em uma brincadeira de perguntas e respostas com meu ex-namorado, perguntei o que ele preferiria: o sucesso profissional fazendo o que ele mais sonhava - no caso dele, ser jogador de futebol -, ou ter ao seu lado o grande amor de sua vida. O único problema é que não daria para se ter os dois, escolhendo uma das opções, você teria a certeza de que não alcançaria a outra opção.
Sim, eu adoro perguntas difíceis.
Bem, ele respondeu que, se fosse em outro tempo, responderia que seria alcançar o grande sonho dele de ser jogador de futebol, mas estando ao meu lado, preferiria poder viver esse grande amor ao meu lado. Talvez aqui ele tenha sido sincero, talvez não, nunca saberei. Acabamos. Sinto que viver um grande amor ao meu lado não será possível.
Enfim, mas eu sei o que cabe a mim e a minha resposta foi que seria me realizar profissionalmente com o meu maior sonho. Sim, posso ter sido sem coração, ainda mais que respondi isso depois dele ter dito que preferia ficar ao meu lado.
Mas o mais engraçado de tudo é que, mesmo respondendo isso, eu acho que eu era quem mais, de fato, lutei para estar ao lado dele - mesmo sem ser meu maior sonho. O que é extremamente irônico, aliás.
Meu maior sonho profissional é viver da escrita. É que minhas palavras possam tocar o coração de outras pessoas como tantas vezes eu fui tocada por palavras de escritores. É conseguir fazer com que essa bagunça que vive dentro de cada ser humano seja transcrita em palavras e provoque identificação. É fazer com que alguém sonhe, sorria, chore lendo o que eu escrevi.
Nossa, só de imaginar que algum dia alguém possa estar sentado lendo um livro que eu escrevi, parece que, ao menos por um segundo, eu me esqueço de todos os demais sonhos.
Mas querem saber o que é contraditório?
Mesmo este sendo meu maior sonho - e eu tenho consciência dele, não faço nada para que ele se torne realidade. Estou escrevendo? Estou colocando toda esta bagunça mental em palavras? Não...
Passei os últimos anos da minha vida trabalhando com o que não gosto, buscando um grande amor, traçando planos e mais planos com pessoas que não estão mais ao meu lado. Que engraçada a vida.
Quero acreditar que talvez todos estes anos tenham sido, na verdade, bagagem para que eu tivesse o que escrever daqui para frente. Assim espero.
E, quem sabe, daqui uns anos, esteja eu sentada novamente ao lado de um companheiro e faça a mesma pergunta, porém talvez possa dizer que o meu maior sonho eu já realizei, sendo, de fato, uma escritora.
Quem sabe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário