quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Foi mágico?

"Tô louco pra te pertencer/E ver a nossa história acontecer/Eu sei o tempo vai passar/E a cada dia eu vou te merecer/Meu coração foi feito pra você..."

Por que eu ainda estou conectada a alguém que pouco viveu comigo? Alguém que eu pouco sei, que em menos de um mês conseguiu ter uma atitude assustadora, mas que, mesmo assim, parece ter algo que me puxa.

Fico me perguntando se não é uma tentativa de autossabotamento. Ou talvez uma vontade imensurável de acreditar que o que pareceu um sonho no início pudesse ser real.

Por que essa vontade de viver o sonho? De ter algo acima da média? De sentir borboletas na barriga e ficar com os olhos brilhando e se apaixonar? Por quê? Se depois isso tudo só dói, porque a ficha cai e você constata que tudo não passou de uma ilusão?

Acho que é isso que me prende, esse desejo de que o que sonhei, o que pareceu ser no início fosse, de fato, realidade. Daí é mais fácil acreditar que tudo aquilo foi verdade e que o que nos afastou que foi uma exceção, apenas um vacilo; do que acreditar que o começo foi uma ilusão e o que nos afastou é realmente a realidade.

Mas é que ele parecia tão tudo que eu sempre quis. Nosso primeiro encontro foi tão bom, tão mágico, tão especial que nem primeiro encontro parecia. Ele era tão carinhoso, tão fofo, tão meigo. Eu via meu sorriso dentro dos seus olhos. Ele sorria com os olhos. Foi mágico, isso eu tenho certeza que foi, eu vivi. 

O beijo dele era tão doce, tão delicado, mas ao mesmo tempo tão firme, tão profundo. A boca dele era tão gostosa, é como se ela tivesse um imã que fizesse com que eu desejasse ficar apenas ali.

E o sorriso dele? Eu já escrevi sobre, né? Mas é que eu não consigo me esquecer. Ele sorria com a boca, mas resplandecia por todo o rosto, pelas bochechas, pelos olhos. Os olhos dele ficavam pequenininhos. Ele sorria com toda sua face. É uma das coisas mais gostosas que eu já vi na vida, principalmente porque era eu quem estava fazendo com que ele sorrisse daquela forma.

Ele ia contando sobre sua vida, sobre o que já viveu, sobre o que fez, mesmo sendo tão novo, e eu apenas ia me encantando cada vez mais. Nunca tinha conhecido alguém por quem me encantasse tanto assim de cara. E não é só pelo que ele já fez, mas porque ele não contava isso como se estivesse se exibindo ou querendo mostrar que era foda. Não, era de uma forma tão natural. Parecia até que nem ele tinha noção do quanto ele era incrível. Eu fui ficando boba vendo ele ali, na minha frente, compartilhando tudo aquilo. E quando ele completava alguma história e dava aquele sorriso, ah, aí eu começava a ficar preocupada de que talvez quisesse ver aquele sorriso mais muitas e muitas vezes.

Mas ele não apenas contava, ele queria me ouvir também, queria saber sobre mim. Isso foi ainda mais inédito na minha vida. Alguém que compartilhasse fatos sobre si e, ainda, quisesse de fato me ouvir. E ele realmente me ouvia. De uma forma tão complacente, tão atenta.

Foi um encantamento mútuo, eu o vi se encantando por mim e eu estava da mesma forma. Foi mágico, isso eu tenho certeza. Já escrevi isso, né?

Já escrevi que ele ficava com as bochechas vermelhas quando ficava sem graça? Era a coisa mais fofa. Parece que não condizia com ele aquele jeito de menino com tudo que ele estava me contando que ele já havia feito. Eu não conseguia entender como aquele garoto na minha frente, de apenas 28 anos, já tinha feito tanta coisa e ainda era um garoto, tão meigo, fofo, gentil.

Só que não foi esse mesmo garoto que eu vi no dia 12 de fevereiro. Muito ao contrário, eu vi alguém totalmente oposto a tudo isso. Alguém que me deu medo, que disse coisas tão horríveis que até hoje fico sem acreditar que foi o mesmo garoto que conheci que me disse aquelas coisas...

O que será que aconteceu? Quem de fato será a pessoa que conheci? É possível que alguém consiga se transformar tanto assim? E por que, mesmo tento visto este lado tenebroso, que me disse coisas horríveis, que me magoou, que me assustou, eu ainda quero acreditar que aquele não foi ele? Que aquilo foi apenas um deslize e que o verdadeiro foi quem eu conheci pessoalmente?

Ao escrever, só consigo pensar que é muita falta de amor próprio e até um desejo insano, parece, de querer comprovar que não, ele não é aquilo. Deixa eu ir lá salvá-lo, porque ao meu lado ao menos eu vi um rapaz muito diferente do que ele se mostrou no último dia. Eu devo ser mesmo a Mulher Maravilha, capaz de transformá-lo no melhor que ele pode ser - que foi o que ele foi ao meu lado. Ele precisa de mim para ser seu melhor. E eu, parece, sigo achando que preciso dele para me sentir especial.

Mas espera aí, não foi o mesmo rapaz que a fez se sentir tão especial que em menos de um mês conseguiu fazer com que você se sentisse totalmente o contrário de especial? Que destruiu o seu projeto social, dizendo que tudo que você tem feito - da forma como está fazendo, não resolve nada. Que é por causa de pessoas como você que nosso país está como está. Que de simples e humilde nada teve, ao contrário, te colocou em uma posição de inferioridade, fazendo com que, no primeiro momento, você começasse a se justificar para ele, como se tivesse que provar que você não era alienada como ele quis dizer que você fosse.

Isso tudo aconteceu em menos de 1 mês que vocês se conheciam. 1 mês.

Querida, sério, ame-se mais. Por que ficar presa a isso? É esse cara que você acha realmente que você merece ao seu lado? Só porque vocês viveram momentos maravilhosos no início? Por que pareceu um sonho? Mas depois você viveu um pesadelo também?

Ok, pode mesmo ter sido um deslize dele, talvez, realmente, ele não seja esse monstro que pareceu ser no último dia, mas você viu isso. Ele foi assim contigo. Alguém que, em teoria, ele ainda deveria estar conquistando. Será mesmo que alguém que já é assim logo no início tem tanto a te ofertar de melhor daqui para frente?

Não é você quem tem que buscar que o outro te oferte o melhor. Você deve buscar ofertar o seu melhor e o outro buscar ofertar o melhor dele. E assim sigam juntos, até onde der.

Em menos de UM MÊS ele já mostrou o pior dele para você. É sério que você ainda está querendo resgatar algo ali? Oh meu Deus, como eu queria que o mesmo cérebro que consegue articular todo esse texto fosse responsável por guiar os sentimentos dessa moça que aqui escreve para que ela deixasse de se apegar a sentimentos tão errados.

PARA DE ACHAR QUE ALGUÉM VAI MUDAR POR VOCÊ OU QUE VOCÊ VÁ MUDAR ALGUÉM. 

Aliás, você TEM que mudar alguém mesmo. E esse alguém é você mesma. Começando pelo auto-amor. Pelo auto-cuidado. Por parar de se sabotar.

Que tenham sido alguns dias mágicos, que lindo, parabéns, você terá boas memórias para se recordar. Boas memórias para lhe inspirarem a escrever mais. Para vislumbrar o que você deseja e o que pode ser que você consiga encontrar por aí.

Mas não é porque você viveu algo extremamente mágico que você deve se ver presa a isso e achar que aquele momento mágico vale mais que qualquer coisa. Não vale. Da mesma forma que tiveram momentos mágicos, teve um momento terrível.

Você terminou um relacionamento com alguém que, em teoria, sempre te quis. E o que ele te disse? Não deixe que ninguém faça com que você se sinta algo menos que extraordinária. Parabéns, você fez muito bem em terminar mesmo, porque a última coisa que você estava se sentindo ao lado dele era extraordinária.

Daí você conhece alguém que, em um primeiro momento, realmente parece ser totalmente oposto a isso. Alguém que provocou borboletas no seu estômago, que te deixou com cara de boba apaixonada. Isso é incrível? Delicioso? Mágico? É. Mas não é só isso que basta. 

Apegue-se aos bons momentos como referencial do que você almeja, mas não como se você só pudesse vivenciar tudo aquilo ao lado daquela pessoa. Você também viveu momentos mágicos com outros rapazes já e nem por isso foram eles com que você está até hoje.

Pare de querer encontrar o último, pare de querer buscar um príncipe que chegue tampando todos os buracos que têm na sua vida. ISSO NÃO EXISTE.

Só você vai tampar tudo isso aí. Contente-se em conhecer as pessoas. Em viver cada dia como se fosse o único e o que aconteceu ali. Foi bom? Que ótimo. Siga. Deixou de ser bom? Siga também, mas para longe.

Você só deve permanecer onde você se sinta bem, amada, respeitada. Se isso deixou de acontecer, não insista mais não. Você já insistiu demais onde não lhe cabia. Não é com esse que vai ser diferente. Vai ser diferente quando você não precisar insistir para ficar, apenas será prazeroso ficar e você permanecerá.

Absorva isso, sentimentos, o lado racional do seu cérebro agradece.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Chega.

Racionalmente está mais que claro que este cara é mais um doido que apareceu na minha vida. O surto que ele teve comigo ontem ao telefone, todas as atrocidades que ouvi. Hoje ele tentando se justificar com problemas sérios pelos quais têm passado, como se isso justificasse o que ele me disse.

Nada justifica. Não nos conhecemos nem há um mês e já tivemos uma situação complicada assim. Com ele confessando, inclusive, que como recurso de defesa sabe dizer exatamente o que precisa dizer para ofender alguém.

Só por esses fatos resumidamente apresentados já deveria ser mais que óbvio que eu deveria cortar contato com esse cara e não querer mais sequer ter notícias dele, não?

Não. Parece que tem algo que me puxa, me prende, me arrasta para o problema. Parece até um desejo animal de manter esta pessoa em minha vida, como forma de salvá-la? Transformá-la em algo melhor? Começo a justificar os erros dele, como se ele fosse um coitado que merecesse dó.

E eu? Quem vai cuidar de mim? Porque está claro que um cara desses está fazendo tudo menos cuidando de mim, não? Daí eu fico ainda buscando cuidar dele? Fico com medo de perder algo que não temos? Perder algo que eu acreditei que pudesse ser, mas os sinais logo de cara já mostraram que seria problema e mesmo assim tem algo que me puxa para dentro disso? Por quê?

É uma vontade gigante de não estar errada, de mesmo terminando não ficar com o peso da culpa, de que eu errei me afastando dele. Que eu errei não aceitando voltar com meu namorado que me procurou pedindo mais uma chance. Medo de fracassar e não encontrar alguém.

O mais engraçado é que contando para esse de agora que o meu ex abusador me procurou e eu não compreendia porque as pessoas insistem em procurar as outras mesmo sabendo que não a queremos mais, a resposta dele foi boa: "É arrependimento de ter perdido alguém como você por bobeira."

E o que ele está fazendo agora? Aliás, o que todos caras que já passaram pela minha vida fizeram? Todos me perderam? Por quê?

Se eu sou tão extraordinária assim como eles dizem que sou, por que eles não fazem de tudo para me manterem ao lado deles enquanto eu estou lá querendo isso? Eu não compreendo.

Talvez venha daí também toda esta carência e uma necessidade voraz de me sentir especial e a "escolhida" de alguém. Que diabo escolhida, até quando isso? Já não analisamos e concluímos que agora é você quem vai escolher?

E você vai escolher alguém que em menos de um mês explodiu contigo, te disse coisas terríveis e te diminuiu? Alguém que, como forma de se justificar, buscou se vitimizar e se colocar numa posição de vulnerabilidade, para que você entendesse essa explosão dele? Manter tudo isso por quê? Só porque vocês tiveram encontros em que você se sentiu muito especial?

Isso compensa, de verdade? Subir uma escada gigante, sentir-se a pessoa mais especial do mundo para depois despencar dela? Será que não passou da hora de você subir nessa escada sozinha e ter consciência de tudo que você é sem depender de que alguém te diga isso?

Já pensou ouvir que você é extraordinária da boca de alguém e de fato acreditar nisso? O poder que isso poderá te dar? Porque aí não será alguém quem te fez  se sentir especial. Você já saberá isso. Terá consciência disso. A pessoa ali só estará constatando algo que você já sabe.

Pensa o quanto isso será libertador. Não existirão mais aqueles encontros de conto de fadas, em que chega um pseudo príncipe e te faz ficar nas nuvens, pois, finalmente, alguém te viu como uma princesa. CHEGA, CARALHO.

Comece a se enxergar como alguém extraordinária. Fenomenal. Incrível. Você é isso. Não aceite migalhas, abusos, desaforos para ficar ao lado de alguém que diz ver que você é tudo isso. Não dependa de aprovações externas, de constantes elogios, de bajulações para saber exatamente quem você é. Isso só você conseguirá saber exatamente.

Vamos buscar saber e fortalecer isso?

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O fim da busca incessante

"Meu foco nunca foi encontrar um grande amor, ter um homem ao meu lado. Não sei nem quando e como incorporei isso na minha vida."

Estas foram as palavras que disse para minha mãe hoje após nosso jantar. A única mentira aí é que sim, eu sei sim quando comecei isso e incorporei isso na minha vida, quando ela iniciou a busca dela e eu comecei a achar que também precisava achar alguém, encontrar um parceiro, um companheiro e isso se tornou o foco número um na minha vida.

Parece que foi a partir daí, inclusive, que minha vida começou a desandar e tomar rumos que eu não queria e também não havia planejado para mim.

Poxa, eu sempre fui a garota nerd da escola. Eu era quem queria passar em uma universidade pública, tirar boas notas, ter uma carreira de sucesso, ter dinheiro, status, fama. Apesar de ter lido livros de princesas e romances a minha vida toda e, no fundo, almejar isso, eu não tinha isso como foco, sabe?

Eu me apaixonava, obviamente planejava toda uma vida ao lado da pessoa, mas não era um desejo insano de ter alguém. Era algo que queria - principalmente se fosse semelhante a um conto de fadas, mas eu não vivia buscando isso.

Daí hoje, refletindo sobre minha vida em voz alta com minha mãe, notei que meio que desde a metade da minha faculdade o "ter alguém" tornou-se um foco na minha vida. E, o pior, parece que virou o foco número um. Parece que desde então eu sempre estou conversando com alguém, sempre estou conhecendo alguém, sempre estou querendo ser a "escolhida" de alguém, sempre estou querendo namorar alguém.

SOCORRO.

E eu? Onde que eu fiquei nesta história? Meu Deus, cadê a menina que devorava livros? A menina que criava, inventava, sonhava? Parece que ela sumiu e deu lugar a uma desesperada buscando incessantemente alguém.

Isso não é meu. Esta busca não é minha. Talvez até venha a ser algum dia, não sei, mas parece que ficou tão claro agora na minha cabeça que isso não é meu. O discurso da minha mãe de que "todos têm alguém", que "ficar sozinha é muito ruim" penetrou na minha vida de uma forma que parece que eu fui absorvendo isso de uma forma que, de repente, este discurso passou a ser perpetrado por mim também.

Mas, espera aí, quando foi que eu, euzinha, passei a achar isso? Eu realmente quero como foco na minha vida um homem ao meu lado? Eu tenho esse sonho todo de casar, ter um marido?

Eu sempre gostei de ficar sozinha. Aliás, eu fico bem sozinha. Gosto da minha companhia. Comecei a ter esse sentimento de solidão muito mais quando estava acompanhada por alguns caras do que quando estou sozinha. Parece que essa busca desenfreada por ter alguém me faz sentir muito mais sozinha e abandonada do que o não buscar ninguém.

Por que eu tenho que sempre estar conhecendo alguém? Planejando a vida com alguém? Como eu consegui me perder tanto assim na minha própria vida, meu Deus?

Eu estou com ódio de mim agora. Estou há mais de quatro anos buscando, buscando, buscando alguém, sendo que deixei de buscar a única coisa que verdadeiramente eu sempre quis. Que EU sempre quis: me encontrar em algo que gostasse de fazer.

Minha vida foi virando um emaranhando de "deixa a vida me levar" e eu fui indo. Daí engatava um romance com um cara e já planejava minha vida com aquele cara, planos adaptados para dar certo com ele. Terminava, sofria horrores, mas aí a saga já continuava de novo, para encontrar outro e tentar, novamente, me encaixar na vida daquele cara. Por que isso? Meu Deus, estou me sentindo tão idiota neste momento.

Eu quero e preciso tomar as rédeas da minha vida. O que eu quero para minha vida, independente de família, de um amor, de amigos, de qualquer pessoa, o que EU quero? Eu preciso estabelecer isso e buscar, se não viverei toda uma vida sendo guiada pelo fluxo e pelo que parece que tem que ser.

As coisas não precisam parecer que tem que ser. As coisas são e eu preciso defini-las. Só eu consigo mudar a minha vida e fazer algo por mim. Utilizando o  famoso bordão da atualidade, as outras pessoas que lutem para se encaixar na minha vida daqui para frente, pois eu estarei muito ocupada tomando as rédeas da minha vida para me ocupar em encaixar alguém no meu espaço. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Quem sabe...

Dizem que para um sonho deixar de ser sonho, ele precisa começar a ser executado, então lá vou eu.

Certo dia, em uma brincadeira de perguntas e respostas com meu ex-namorado, perguntei o que ele preferiria: o sucesso profissional fazendo o que ele mais sonhava - no caso dele, ser jogador de futebol -, ou ter ao seu lado o grande amor de sua vida. O único problema é que não daria para se ter os dois, escolhendo uma das opções, você teria a certeza de que não alcançaria a outra opção.

Sim, eu adoro perguntas difíceis. 

Bem, ele respondeu que, se fosse em outro tempo, responderia que seria alcançar o grande sonho dele de ser jogador de futebol, mas estando ao meu lado, preferiria poder viver esse grande amor ao meu lado. Talvez aqui ele tenha sido sincero, talvez não, nunca saberei. Acabamos. Sinto que viver um grande amor ao meu lado não será possível.

Enfim, mas eu sei o que cabe a mim e a minha resposta foi que seria me realizar profissionalmente com o meu maior sonho. Sim, posso ter sido sem coração, ainda mais que respondi isso depois dele ter dito que preferia ficar ao meu lado.

Mas o mais engraçado de tudo é que, mesmo respondendo isso, eu acho que eu era quem mais, de fato, lutei para estar ao lado dele - mesmo sem ser meu maior sonho. O que é extremamente irônico, aliás.

Meu maior sonho profissional é viver da escrita. É que minhas palavras possam tocar o coração de outras pessoas como tantas vezes eu fui tocada por palavras de escritores. É conseguir fazer com que essa bagunça que vive dentro de cada ser humano seja transcrita em palavras e provoque identificação. É fazer com que alguém sonhe, sorria, chore lendo o que eu escrevi.

Nossa, só de imaginar que algum dia alguém possa estar sentado lendo um livro que eu escrevi, parece que, ao menos por um segundo, eu me esqueço de todos os demais sonhos.

Mas querem saber o que é contraditório? 

Mesmo este sendo meu maior sonho - e eu tenho consciência dele, não faço nada para que ele se torne realidade. Estou escrevendo? Estou colocando toda esta bagunça mental em palavras? Não...

Passei os últimos anos da minha vida trabalhando com o que não gosto, buscando um grande amor, traçando planos e mais planos com pessoas que não estão mais ao meu lado. Que engraçada a vida.

Quero acreditar que talvez todos estes anos tenham sido, na verdade, bagagem para que eu tivesse o que escrever daqui para frente. Assim espero.

E, quem sabe, daqui uns anos, esteja eu sentada novamente ao lado de um companheiro e faça a mesma pergunta, porém talvez possa dizer que o meu maior sonho eu já realizei, sendo, de fato, uma escritora.

Quem sabe.