domingo, 9 de fevereiro de 2020

O fim da busca incessante

"Meu foco nunca foi encontrar um grande amor, ter um homem ao meu lado. Não sei nem quando e como incorporei isso na minha vida."

Estas foram as palavras que disse para minha mãe hoje após nosso jantar. A única mentira aí é que sim, eu sei sim quando comecei isso e incorporei isso na minha vida, quando ela iniciou a busca dela e eu comecei a achar que também precisava achar alguém, encontrar um parceiro, um companheiro e isso se tornou o foco número um na minha vida.

Parece que foi a partir daí, inclusive, que minha vida começou a desandar e tomar rumos que eu não queria e também não havia planejado para mim.

Poxa, eu sempre fui a garota nerd da escola. Eu era quem queria passar em uma universidade pública, tirar boas notas, ter uma carreira de sucesso, ter dinheiro, status, fama. Apesar de ter lido livros de princesas e romances a minha vida toda e, no fundo, almejar isso, eu não tinha isso como foco, sabe?

Eu me apaixonava, obviamente planejava toda uma vida ao lado da pessoa, mas não era um desejo insano de ter alguém. Era algo que queria - principalmente se fosse semelhante a um conto de fadas, mas eu não vivia buscando isso.

Daí hoje, refletindo sobre minha vida em voz alta com minha mãe, notei que meio que desde a metade da minha faculdade o "ter alguém" tornou-se um foco na minha vida. E, o pior, parece que virou o foco número um. Parece que desde então eu sempre estou conversando com alguém, sempre estou conhecendo alguém, sempre estou querendo ser a "escolhida" de alguém, sempre estou querendo namorar alguém.

SOCORRO.

E eu? Onde que eu fiquei nesta história? Meu Deus, cadê a menina que devorava livros? A menina que criava, inventava, sonhava? Parece que ela sumiu e deu lugar a uma desesperada buscando incessantemente alguém.

Isso não é meu. Esta busca não é minha. Talvez até venha a ser algum dia, não sei, mas parece que ficou tão claro agora na minha cabeça que isso não é meu. O discurso da minha mãe de que "todos têm alguém", que "ficar sozinha é muito ruim" penetrou na minha vida de uma forma que parece que eu fui absorvendo isso de uma forma que, de repente, este discurso passou a ser perpetrado por mim também.

Mas, espera aí, quando foi que eu, euzinha, passei a achar isso? Eu realmente quero como foco na minha vida um homem ao meu lado? Eu tenho esse sonho todo de casar, ter um marido?

Eu sempre gostei de ficar sozinha. Aliás, eu fico bem sozinha. Gosto da minha companhia. Comecei a ter esse sentimento de solidão muito mais quando estava acompanhada por alguns caras do que quando estou sozinha. Parece que essa busca desenfreada por ter alguém me faz sentir muito mais sozinha e abandonada do que o não buscar ninguém.

Por que eu tenho que sempre estar conhecendo alguém? Planejando a vida com alguém? Como eu consegui me perder tanto assim na minha própria vida, meu Deus?

Eu estou com ódio de mim agora. Estou há mais de quatro anos buscando, buscando, buscando alguém, sendo que deixei de buscar a única coisa que verdadeiramente eu sempre quis. Que EU sempre quis: me encontrar em algo que gostasse de fazer.

Minha vida foi virando um emaranhando de "deixa a vida me levar" e eu fui indo. Daí engatava um romance com um cara e já planejava minha vida com aquele cara, planos adaptados para dar certo com ele. Terminava, sofria horrores, mas aí a saga já continuava de novo, para encontrar outro e tentar, novamente, me encaixar na vida daquele cara. Por que isso? Meu Deus, estou me sentindo tão idiota neste momento.

Eu quero e preciso tomar as rédeas da minha vida. O que eu quero para minha vida, independente de família, de um amor, de amigos, de qualquer pessoa, o que EU quero? Eu preciso estabelecer isso e buscar, se não viverei toda uma vida sendo guiada pelo fluxo e pelo que parece que tem que ser.

As coisas não precisam parecer que tem que ser. As coisas são e eu preciso defini-las. Só eu consigo mudar a minha vida e fazer algo por mim. Utilizando o  famoso bordão da atualidade, as outras pessoas que lutem para se encaixar na minha vida daqui para frente, pois eu estarei muito ocupada tomando as rédeas da minha vida para me ocupar em encaixar alguém no meu espaço. 

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