quinta-feira, 16 de julho de 2020

Centro da Vida

Acho que a ideia é que hoje, após minha sessão de terapia, eu ficasse melhor do que eu já estava, porque parece que, finalmente, eu descobri porque minha vida parece ficar rodando, rodando, sem sair do lugar, desde 2017. Mas não estou me sentindo bem, ao contrário, estou bem triste.

Parece que eu sei o que precisa se fazer para sair de tudo isso, mas me faltam forças. Eu estou cansada. Estou cansada de ter que fazer o que eu não quis fazer. Em nenhum momento eu quis ser advogada. Eu nunca sonhei isso para mim. Ainda mais tendo que começar logo em uma ação contra um criminoso que tentou justamente passar a perna em mim. Eu não quis isso.

Mas eu fiz. E continuo fazendo. E me dói. Cada linha escrita, cada passo desse processo e de tudo que o envolve me machuca, me dilacera. Não é isso que eu quis para mim. E eu sei que para encerar tudo isso, só depende de mim mesma. Eu preciso terminar o que já comecei. Mas eu não queria. Faz sentido isso?

Eu estou exausta. Da quarentena. Do meu convívio com minha família. Do meu trabalho. Da minha vida. Como eu cheguei até aqui? Será que foi por deixar que os outros decidissem o que eu deveria decidir? O que eu fiz por mim, enquanto uma profissional, durante a minha vida?

Até que ponto eu fiz as coisas que eu quis fazer ou eu apenas fiz o que tinha que ser feito? Eu entrei em uma faculdade que não quis. Formei em um curso que eu não gosto. Trabalho com essa graduação que não gosto. Tudo por que eu tenho que fazer isso? É isso que será minha vida?

Eu quero poder olhar para tudo isso e deixar no passado daqui uns anos. Talvez eu não esteja bem porque enfim eu constatei porque o Direito me dói e me faz tão mal. Não é, especificamente, o Direito. Mas a forma como eu tive que começar a atuar no Direito. Eu tive que pegar a OAB para atuar nessa ação. A mesma ação que me fez ter um grande rompimento com minha mãe. A mesma ação que me fez ver quem de fato era meu 'irmão'. A mesma ação que me fez virar adulta. A mesma ação que me persegue e atormenta até hoje. 

A minha atuação no Direito não se resumiu ao Direito, não. Ao contrário, ela se resumiu a essa minha atuação. A alguns empregos como advogada em alguns escritórios que busquei e não obtive sucesso. A minha atuação não foi escolhida, ela foi porque tinha que ser. Eu estou cansada de fazer o que tenho que fazer.

Eu quero poder fazer o que eu quero fazer. Só de planejar um trabalho por um tempo com algo que eu quero, nossa, eu virei outra pessoa. Será, meu Deus, que isso é possível para mim? 

Eu preciso conseguir seguir a minha vida, que, segundo a minha psicóloga, eu já sei que não é onde acho que estou, e deixar que essa parte dolorida, forçada, seja apenas um pedacinho do que de fato é minha vida.

Eu estagnei em um local que não me cabe, que não é onde eu quero e nem onde eu deveria estar. Isso não sou eu. Eu tenho encarado que minha vida é resumida a isso, que eu fiquei parada todos esses anos apenas atuando nessa ação, mas não é verdade. Eu não parei...

Talvez meus sentimentos estejam lá ainda. Minha dor. Meu medo. Minha mágoa. Minha angústia. Por isso dói, por isso machuca. Por isso é tão difícil prosseguir e dar um rumo para tudo isso. Mas isso não sou eu. Esta não é a minha vida.

Eu sei onde quero levar minha vida. Eu sei o que enche meus olhos, enche meu coração. Eu sei onde eu posso atuar e poderei ajudar muitas pessoas. É isso que eu quero. É isso que é minha vida.

O "centro da minha vida" não é essa dor torturante que me corrói por dentro. Eu sou muito maior que tudo isso e eu vou mostrar para todos isso. Melhor, eu vou mostrar para mim mesma que eu sou maior que tudo isso. Eu vou ser a pessoa que me dá a mão, que me dá afeto e diz: Vai, você consegue. Você é muito maior que tudo isso. Eu sei que é.

E eu sou. Eu verei que sou. 

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